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5 Março, 2018

As máscaras que usamos e as que nos tornamos.

Texto: Julia Vidal

 

“O simbolismo da máscara no Oriente varia segundo suas utilizações. Seus tipos principais são a máscara de teatro, a máscara carnavalesca e a máscara funerária”1. Entretanto, um outro tipo de máscara de caráter não físico se tornou ainda mais comum: a máscara social. Assim como as demais, ela cumpre uma função na vida do indivíduo que passa por determinado rito em sua comunidade, porém seu preço acaba por ser mais elevado do que se pensa.

 

A máscara teatral possui como objetivo representar e comunicar uma série de signos para o público que percebe uma integração entre a forma da máscara e o corpo e intenção do ator. Ela não está em cena para esconder e sim para facilitar uma troca de informações. A máscara carnavalesca expressa em sua maioria aspectos instintivos e busca justamente a expulsão, libertação e catarse ao revelar as pulsões que habitam no âmago do individuo. A máscara funerária diverge em sua função de cultura para cultura, sendo, entre diversas possíveis leituras, destinada a fixar a alma errante e representar o nascimento do defunto no outro mundo.

 

 

Em contraste, as máscaras sociais, embora não possuam nenhum artifício físico para mudar nossos rostos, transformam justamente aquilo que somos em nossa essência. Os motivos pelos quais nós as utilizamos podem ser os mais variados: ser aceito em determinado grupo social, tentar evitar conflitos em relacionamentos, ser aquilo que a família possui como expectativa, se manter seguro em um ambiente de trabalho ou simplesmente desejar ser aceito, amado ou tentar se proteger de alguma maneira daqueles ao seu redor.

 

O problema de tais máscaras é que elas impedem a conexão com o que há de real e passam a exigir cada vez um maior gasto de energia para serem mantidas. Aos poucos, com toda essa dedicação em mantê-las, passam a ganhar força e se sobrepor ao que havia inicialmente tornando-se a nova realidade.

 

 

É importante nos questionarmos o que nos leva a vestir tais máscaras. Serão elas realmente necessárias ou apenas uma construção baseada em nosso receios? O que efetivamente aconteceria se arriscássemos retirá-las? Não digo aqui que não possam existir consequências para viver sem máscaras, mas que talvez essa situação seja um sinal para mudança. Uma diferente atitude, a busca de uma distinta situação ou até mesmo abordagem interna pode ser o início de um caminho que permita acessar a vida sem o peso de uma máscara que deseja devorar e substituir o rosto que deveria estar em contato com a luz do sol.

 

A Mutativa deseja que as máscaras que escolhamos vestir tragam arte, festa e leveza. E que mostremos mais nosso verdadeiro rosto, nossa verdadeira essência. Deixar para trás as máscaras que nos coíbem ou nos deformam é uma mudança com grande potencial libertador. Somos quem somos e nos tornamos as máscaras que escolhemos – ou não – usar.

 

1 CHEVALIER, Jean e ALAIN, GherbrantDicionário de Símbolos

FAVA, Antônio

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